Oscar

Em um mesmo estúdio antes usado por astros do cinema mudo como Charles Chaplin (1889-1977) e Mabel Normand (1892-1930), executivos de Hollywood, atores e cineastas se reúnem em uma festa regada a coquetéis. Eles estão maravilhados com o que, para alguns, é o maior desenvolvimento do setor desde a criação do cinema falado: o vídeo gerado por inteligência artificial (IA).
A questão em debate é se a IA será o futuro ou o fim do cinema. Apenas dois anos se passaram desde que a greve de atores e roteiristas paralisou Hollywood, exigindo proteção contra a IA. Agora, a tecnologia vem se infiltrando na TV, no cinema e nos videogames, apesar das controvérsias.
E dois filmes indicados ao Oscar já usaram inteligência artificial.
Um DJ toca hip hop dos anos 1990, enquanto desenvolvedores de informática disputam o espaço com atores e executivos – um sinal da mudança de poder no setor.
A IA em Hollywood é "inevitável", segundo o cineasta Bryn Mooser, anfitrião da festa e um dos fundadores da companhia de software Moonvalley. A empresa criou a ferramenta de IA generativa Marey pagando por filmagens de cineastas com seu consentimento.
Para Mooser, a IA pode ainda soar como um palavrão, mas seu produto é "limpo" porque paga pelo seu conteúdo.
"Os artistas devem participar do processo", afirma ele. Mooser destaca que é melhor construir a ferramenta para os cineastas do que ser "engolido pelas grandes empresas de tecnologia".
Nesta semana, Hollywood deu a palavra final: filmes feitos com inteligência artificial podem concorrer - e ganhar - um Oscar.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas emitiu as novas regras na segunda-feira (21/4), afirmando que o uso de IA e outras ferramentas digitais "não ajudará nem prejudicará as chances de obter uma indicação".
Mas a Academia afirmou que ainda considerará o envolvimento humano ao selecionar seus vencedores.


